terça-feira, 18 de setembro de 2012

CAOS...

Somente no momento que o conflito se torna real - onde existe uma confusão incrível e vocês não sabem onde ficar para julgar o que fazer em seguida -, será somente neste ponto, que ficarão abertos para a possibilidade de algo novo acontecer. É somente neste ponto que estarão prontos para ouvir algo que nunca ouviram antes. É, por isso, que a mensagem do Gita precisa começar com essa situação de crise. Arjuna precisa ser sacudido até a raiz para poder ouvir o que Krishna tem a lhe dizer. Lembrem-se que Krishna e Arjuna se conheciam há algum tempo - há anos eram amigos. Porém, Arjuna ainda não estava pronto para ouvir aquilo que Krishna tinha a lhe dizer. Não antes de se encontrarem no meio de um campo de batalha, não até que aquele momento de crise despertasse Arjuna, Aprontando-o para ouvir algo novo. E esse algo novo conduziria Arjuna em uma viagem, desligando-o do seu apego a coisas como a família e o castelo, fazendo-o se desligar até de sua própria formação. Por isso esse é o nível mais profundo do ensinamento do Gita. O ponto final que Arjuna encara é Shiva. Ele enfrenta Deus sob a forma do caos, Deus sob a forma da destruição - a destruição de todas as ilusões. Arjuna enfrenta a dor de ter que perguntar: "Se existe um Deus, se existe uma lei, se existe algum significado em tudo isso, como podem me pedir para guerrear contra a minha própria família? Como podem me pedir que faça algo tão horrível?" Arjuna está encarando um fato terrível: não podemos usar a razão para compreender a lei de Deus. No Ramayana, Ram repete várias e várias vezes: "A menos que você reverencie Shiva, não poderá me compreender." Isto é, até que você tenha compreendido totalmente a existência do caos - o caos! - não poderá atravessar a porta. Se vocês querem ser mantenedores do amor e da beleza, terão que ser capazes de observar a destruição do amor e da beleza com olhos bem abertos e dizer: "Bem, está certo." Na natureza existe a criação, a preservação e a destruição. O sofrimento e a dor, a catástrofe e a morte - todos são parte do plano de Deus assim como o prazer e a alegria, a renovação e o nascimento. Em Kurukshetra, Arjuna fica face a face com Shiva. Ele está confrontando uma situação na qual a sua mente racional não pode ajudá-lo, uma situação na qual o seu raciocínio não funcionará, uma situação na qual a entrega é a única maneira de atravessá-la. Sua imagem de si mesmo como um bom homem, seu apego ao pensamento racional, seu apego para se estruturar - ele tem que dizer adeus a tudo isso. Tem que se desligar de cada um desses apegos. A própria base de quem ele pensa que é terá que ser dilacerada para dar espaço a algo novo. Ram Dass em "Caminhos para Deus"

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