domingo, 30 de setembro de 2012

O mal que a outrem molesta, Nunca o tomes tu por festa. Publius Sirus

SONETO

Dante Aliguieri
Tradução: Arduíno Bolívar


É tão gentil e tão honesto o ar
Da minha Dama, sempre que aparece
E a outrem saúda, que ante ela emudece
Toda língua, e ninguém ousa falar.

Ela se vai sentido-se louvar,
Vestida de humildade, e até parece
Coisa que lá do Céu à terra desce
A fim de a todos nos maravilhar.

Mostra-se tão graciosa a quem a mira,
Que nos filtra através do olhar no seio,
Um dulçor que só entende quem prova.

Parece que do seu lábio se mova
Um suspiro suave, de amor cheio,
Que vai dizendo a toda alma: suspira.

O corvo e a raposa

(tradução Bocage)

É fama que estava o corvo
Sobre uma árvore pousado
E que no sôfrego bico
Tinha um queijo atravessado.

Pelo faro àquele sítio
Veio a raposa matreira
A qual, pouco mais ou menos,
Lhe falou desta maneira:

"Bons dias, meu lindo corvo;
É glória desta espessura;
És outra fénix, se acaso
Tens a voz como a figura!

A tais palavras o corvo
Com louca estranha afouteza,
Por mostrar que é bom solfista
Abre o bico, e solta a presa.

Lança-lhe a mestra o gadanho,
E diz: "Meu amigo, aprende
Como vive o lisonjeiro
À custa de quem o atende.

Esta lição vale um queijo,
Tem destas para teu uso."
Rosna então consigo o corvo,
Envergonhado e confuso:

"Velhaca! Deixou-me em branco,
Fui tolo em fiar-me dela;
Mas este logro me livra
De cair noutra esparrela."

Uma didática da invenção

Das "Árias Nacionais"

Thomas Moore


Vai rolando, meu ribeiro,
Vai rolando bem ligeiro,
Porém antes de no mar
As águas tuas depores,
Entrega a alguém estas flores,
Que sobre ti vou lançar.

E vai dizer-lhe também
A esse querido alguém,
Que, se algum dia for meu,
De nossa vida a corrente
Correrá tão docemente
Como a flor que em ti correu.

Porém se vires, amigo,
Que se moteja comigo,
As águas veloz volteia,
E atira as flores fagueiras
Nas fragosas cachoeiras,
Ou sobre as ribas, na areia,

E diz que serão lançados,
Seus encantos desbotados,
A mocidade perdida,
Como as flores que se espargem
Do riacho sobre a margem,
À margem triste da vida.

As ilhas afortunadas

Fernando Pessoa


Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
E a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutarmos, cala,
Por ter havido escutar.

E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.

São ilhas afortunadas
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando
Cala a voz, e há só o mar.

sábado, 29 de setembro de 2012

Soneto X

Luís Vaz de Camões

Transforma-se o amador na coisa amada,
Por virtude do muito imaginar:
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em ti somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está liada.

Mas esta linda pura semideia,
Que como o acidente em seu sujeito,
Assi como a alma minha se conforma;
Está no pensamento como ideia:
E o vivo e puro amor que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.

Religião e futuro...

Religião segundo os dicionários é uma palavra derivada da palavra latina religare que significa religação com o divino. Então em decorrência disso, a religião seria um conjunto de crenças e práticas que levaria o indivíduo a se conectar com as forças divinas.

As religiões tem uma outra importante função que é a de tornar este mundo em que vivemos mais tolerável e possibilitar a continuação da humanidade. Os preceitos religiosos devem conter um conjunto de regras que objetivam um mundo melhor (para todos os humanos e para os não humanos).

Não é necessário ter uma religião ou crença para se ter uma existência evolutiva basta o desejo sincero e ações concretas para a construção de um mundo mais harmonioso.

Hoje se multiplicam as pessoas que se dizem religiosas ou espiritualizadas mas não são filiadas ou não tem as obrigações religiosas de nenhuma linha tradicional. Sou uma delas!

Qual é a principal vantagem disso? Sinto que com esta visão é possível saborear a cereja de muitos bolos, ou seja, ter uma aproximação e um entendimento (ainda que superficial) de várias linhas diferentes, ver o divino de várias formas e entender como diferentes pessoas ou culturas vêem Deus.

Qual é a desvantagem disso? A desvantagem é que não se percorre os caminhos (não se ajuda a fazer o bolo)... Tentamos ir direto ao ponto (não sabemos nem de que o bolo é feito, só nos interessa a cereja). Somos muito seletivos também com as exigências e em como devemos proceder, escolhemos (até de uma maneira egoísta) quais preceitos (religiosos, éticos, morais) daquela linha vamos ou não seguir.


Existem muitos autores santos ou santificados, então com uma busca seletiva é fácil justificar quase tudo que se queira ou não fazer.

A vida simples, não é vida fácil! Paramahansa Yogananda dizia "Harmonia custe o que custar", pelo que a história ensina o desregramento não leva à harmonia mas ao caos.

Todas as árvores que existirão estão contidas nas sementes que hoje existem.

Como a humanidade evolui? Cada nova geração humana pode ser um degrau para cima ou um degrau para baixo na escala evolutiva! A forma que nossas crianças são educadas é o que vai determinar se o nosso mundo irá melhorar ou não. Em que ambiente estas crianças devem viver? Como nossas crianças percebem os valores? Quem ensina e como ensina?

Como proceder de forma que tudo que se faça e tudo que se queira tenha como objetivo um mundo mais harmonioso?

Cada ação, cada sentimento, cada bem consumido, cada palavra proferida deveria ser orientada para a evolução de toda a criação. Como fazer isso?

É esta a busca.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Curso das coisas...

Tudo vai seguindo o fluxo... Somos um barquinho de papel navegando na enxurrada dos acontecimentos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O que está bom incomoda...

Da onde vem o incômodo provocado pela felicidade alheia? Uma gargalhada, um sorriso pode incomodar profundamente. Negativismos bem acomodados e escondidos no ego...

Eu!

Eu pessoalmente, não estou nem aqui.

Grito 2

O gríto... Energía protestante liberada! Que alívio quando grito e depois silencio.

Mente...

A mente por inteiro em algo... Algo lá de cima, ou algo aqui de baixo... Confortavelmente ocupada... Confortavelmente.

Olá coração!

"Olá coração! Tem algo aí dentro? Olá? Uma voz que responda? Olá coração! Você está vazio? Petrificado? Congelado? Olá coração."

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Coisas....

Grito!

Queria agora poder gritar... Sair correndo gritando... Socando... Derrubando... Quebrando... Botando tudo pra fora sem nenhum tipo de contenção!!! Paz e Harmonia cadê vocës? Me deixaram?

A graça da dor!

Como é engraçada a dor! Como tem graça o ferimento, a queda, o sofrimento... Sociedade sádica! Lindo rir da desgraça alheia...

Nós Bobos!

Bobinhos e bobalhões, não faltam... Vítimas de seus algozes espertalhões.

CAOS...

Somente no momento que o conflito se torna real - onde existe uma confusão incrível e vocês não sabem onde ficar para julgar o que fazer em seguida -, será somente neste ponto, que ficarão abertos para a possibilidade de algo novo acontecer. É somente neste ponto que estarão prontos para ouvir algo que nunca ouviram antes. É, por isso, que a mensagem do Gita precisa começar com essa situação de crise. Arjuna precisa ser sacudido até a raiz para poder ouvir o que Krishna tem a lhe dizer. Lembrem-se que Krishna e Arjuna se conheciam há algum tempo - há anos eram amigos. Porém, Arjuna ainda não estava pronto para ouvir aquilo que Krishna tinha a lhe dizer. Não antes de se encontrarem no meio de um campo de batalha, não até que aquele momento de crise despertasse Arjuna, Aprontando-o para ouvir algo novo. E esse algo novo conduziria Arjuna em uma viagem, desligando-o do seu apego a coisas como a família e o castelo, fazendo-o se desligar até de sua própria formação. Por isso esse é o nível mais profundo do ensinamento do Gita. O ponto final que Arjuna encara é Shiva. Ele enfrenta Deus sob a forma do caos, Deus sob a forma da destruição - a destruição de todas as ilusões. Arjuna enfrenta a dor de ter que perguntar: "Se existe um Deus, se existe uma lei, se existe algum significado em tudo isso, como podem me pedir para guerrear contra a minha própria família? Como podem me pedir que faça algo tão horrível?" Arjuna está encarando um fato terrível: não podemos usar a razão para compreender a lei de Deus. No Ramayana, Ram repete várias e várias vezes: "A menos que você reverencie Shiva, não poderá me compreender." Isto é, até que você tenha compreendido totalmente a existência do caos - o caos! - não poderá atravessar a porta. Se vocês querem ser mantenedores do amor e da beleza, terão que ser capazes de observar a destruição do amor e da beleza com olhos bem abertos e dizer: "Bem, está certo." Na natureza existe a criação, a preservação e a destruição. O sofrimento e a dor, a catástrofe e a morte - todos são parte do plano de Deus assim como o prazer e a alegria, a renovação e o nascimento. Em Kurukshetra, Arjuna fica face a face com Shiva. Ele está confrontando uma situação na qual a sua mente racional não pode ajudá-lo, uma situação na qual o seu raciocínio não funcionará, uma situação na qual a entrega é a única maneira de atravessá-la. Sua imagem de si mesmo como um bom homem, seu apego ao pensamento racional, seu apego para se estruturar - ele tem que dizer adeus a tudo isso. Tem que se desligar de cada um desses apegos. A própria base de quem ele pensa que é terá que ser dilacerada para dar espaço a algo novo. Ram Dass em "Caminhos para Deus"

Simplicidade!

Por que levar uma vida simples às vezes é tão complicado?

Carne e Espírito:

"Aquele que é carnal, o é inclusive nas coisas do espírito; aquele que é espiritual, o é inclusive nas coisas da carne" Santo Agostinho

Perigoso...

O perigoso é quem sabe o que é bom para todo mundo!!!

Solução...

A Solução É Solo São!

Vento...


Vazio...


domingo, 16 de setembro de 2012

Leveza...

É muito fácil ser leve quando se observa de fora!

Falsidade!

Fals@s tod@s somos... ou pouquinho ou tantão.

Capacidades...

Tenho algumas boas capacidades... e muitas incapacidades!